Raiva no trabalho: quando ela começa a mandar em você
No começo, era só raiva.
Uma situação aconteceu. Você ficou irritado, pensou no assunto e seguiu o dia.
Mas ela continuou.
A conversa voltou à sua cabeça. Você relembrou o que gostaria de ter dito. Começou a olhar para aquela pessoa de outra maneira. E cada nova interação parecia trazer tudo de volta.
É nesse momento que uma pergunta pode ser importante:
A raiva ainda está reagindo ao que aconteceu ou começou a conduzir você?
Quando a raiva no trabalho começa a ocupar espaço demais
Sentir raiva no trabalho não significa que existe algo errado com você.
A raiva é uma emoção humana e pode aparecer diante de frustração, injustiça, desrespeito ou da percepção de que algo importante foi ameaçado. Ela também pode mobilizar uma pessoa para agir diante de uma situação que considera inadequada.
Por isso, o objetivo não é transformar a raiva em algo que nunca deveria existir.
A questão é perceber o lugar que ela começa a ocupar.
Uma situação pode acontecer durante alguns minutos. Ainda assim, você pode continuar pensando nela depois.
Pode reviver uma conversa.
Imaginar o que deveria ter respondido.
Prestar mais atenção aos erros de determinada pessoa.
Interpretar novas situações a partir daquele episódio.
Aos poucos, o que aconteceu uma vez começa a influenciar muitas outras experiências.
O episódio terminou. Mas você continua vivendo aquilo?
Essa talvez seja uma das partes mais difíceis de perceber.
O acontecimento ficou no passado, mas a emoção continua sendo alimentada no presente.
Você pode estar trabalhando em outra tarefa e lembrar do episódio.
Pode chegar em casa e continuar pensando no assunto.
Pode encontrar novamente a pessoa envolvida e sentir a irritação voltar imediatamente.
Isso não significa que você esteja inventando o problema ou exagerando o que sentiu.
Significa que a situação ganhou espaço dentro da sua experiência emocional.
A própria American Psychological Association chama atenção para o fato de que algumas pessoas permanecem remoendo acontecimentos que provocaram raiva, e que a raiva descontrolada pode afetar relações com colegas e outras áreas da vida.
Por isso, vale observar não apenas a intensidade da raiva, mas também sua permanência.
Sentir raiva é diferente de ser conduzido por ela
Você pode reconhecer que foi desrespeitado sem transformar cada interação em uma batalha.
Pode estabelecer um limite sem permanecer mentalmente preso à situação.
Pode estar indignado sem deixar que a indignação escolha todas as suas respostas.
Essa diferença é importante.
Porque uma coisa é sentir.
Outra é agir automaticamente a partir do que sente.
Quando a raiva começa a conduzir suas escolhas, você pode passar a reagir ao que aconteceu antes mesmo de perceber o que está acontecendo agora.
Uma conversa neutra pode parecer provocação.
Um erro comum pode ser interpretado como uma nova injustiça.
Uma discordância pode despertar uma irritação desproporcional ao momento.
E, assim, uma situação específica começa a contaminar outras.
Quanto espaço essa raiva está ocupando na sua vida?
Essa pergunta pode ser mais útil do que simplesmente tentar descobrir como fazer a raiva desaparecer.
Você pode perguntar:
Estou pensando nisso com frequência?
Minha reação atual pertence ao que está acontecendo agora ou ao que aconteceu antes?
Essa situação continua afetando meu humor depois do trabalho?
Estou tomando decisões pensando no que preciso fazer ou tentando responder ao que aquela pessoa fez?
Essas perguntas não servem para invalidar sua experiência.
Servem para recuperar uma coisa importante: espaço de escolha.
Porque reconhecer que alguém ultrapassou um limite não significa entregar a essa pessoa o controle sobre o que você fará depois.
A raiva pode estar presente sem estar no comando
Talvez a maturidade emocional no trabalho não esteja em nunca sentir raiva.
Talvez esteja em conseguir reconhecer a emoção sem permitir que ela decida tudo por você.
A raiva pode mostrar que um limite foi ultrapassado.
Pode revelar que algo importante foi atingido.
Pode indicar que uma situação precisa ser enfrentada.
Mas escutar a raiva não significa obedecer a ela.
Você pode reconhecer o que sentiu, compreender o que aconteceu e, ainda assim, escolher a resposta que considera mais adequada.
No fim, talvez a pergunta não seja:
“Como faço para não sentir raiva?”
Mas:
“Quanto espaço estou permitindo que essa raiva ocupe?”
Porque uma emoção pode ter uma razão para existir sem precisar assumir o comando da sua vida.
Para refletir
Na próxima vez que uma situação no trabalho despertar muita raiva, observe o que acontece depois.
A emoção passa?
Ou você continua vivendo aquela situação muito depois de ela ter terminado?
Essa diferença pode dizer muito sobre o espaço que a raiva está ocupando na sua vida profissional.
O que você deve fazer agora?
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Em resumo: você pode se fortalecer emocionalmente sem perder sua essência. Te espero por lá. 💬